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Fornos verticais são vilões do meio ambiente e da qualidade da produção 21.11.2011

A indústria cimenteira está se adaptando à nova realidade ambiental do século 21. Tecnologia e investimento diminuem as emissões de gases poluentes e materiais particulados na atmosfera e, aos poucos, tiram o antigo estigma de um dos ramos mais nocivos ao meio ambiente. Atualmente, o processo produtivo do cimento é responsável pela geração de apenas 5% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2), das quais 60% são provenientes do processo de transformação das matérias em altas temperaturas e 40% da combustão, para aquecer o forno de clínquer.

No Brasil, os dados são ainda mais animadores. A emissão de dióxido de carbono resultante da produção de cimento corresponde a somente 1,4% do total, de acordo com o 2º Inventário Brasileiro de Gases de Efeito Estufa. As queimadas florestais lideram o ranking, com 76,8%. O uso de tecnologias limpas, plantas otimizadas e modernas e a busca incessante por eficiência energética são fatores fundamentais para a redução dos impactos para a mudança do clima.

Fornos horizontais destacam-se como estratégia para a diminuição dos poluentes, quando comparados aos fornos verticais. Estes, por sua vez, tornam-se cada vez mais escassos, principalmente em países onde existem políticas públicas eficientes de controle às emissões de gases poluentes. Na Europa e Estados Unidos é proibida a implantação de indústrias baseadas nesse tipo de forno, pois ultrapassam os níveis estipulados de emissão de material particulado. Nas plantas de forno vertical, a emissão é muito elevada, por não existir um sistema eficaz para contê-los.

No Brasil, não existe legislação sobre o assunto, mas os fornos horizontais constituem a preferência das empresas, principalmente aquelas com mais experiência no ramo. À eficiência ambiental e energética soma-se a qualidade do produto final, em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Absorção de dióxido de enxofre (SO2), principal gás emitido na fabricação de cimento, no forno vertical é dificultada pelo pouco contato entre os gases do forno e a matéria-prima. A emissão de SO2 no processo de clinquerização do forno vertical apresenta consumo de calor específico muito alto. Além disso, os gases de exaustão do forno não são usados para a secagem durante a moagem da matéria-prima. A operação é rudimentar e ineficiente, contribuindo para a emissão descontrolada de SO2. Já os fornos horizontais oferecem condições ideais para a absorção do SO2, devido à alta quantidade de cal livre e a temperatura em torno de 900°C no calcinador.

O processo de fabricação de cimento emite partículas de pó, fuligem e metais pesados. Nos fornos horizontais, alguns metais, principalmente os não voláteis, incorporam-se ao clínquer e não são emitidos nos gases de exaustão. Já nos fornos verticais, os metais são liberados na atmosfera, onde ficam suspensos, e provocam problemas ao meio ambiente e à saúde humana. Metais semi voláteis e voláteis que não se incorporam ao clínquer são capturados na saída dos gases na chaminé dos fornos horizontais. Nos verticais, entretanto, o material é condensado, o que torna impossível a captura por sistema de filtros.

Os limites máximos de emissões de metais pesados na atmosfera são baseados na periculosidade dos elementos químicos à saúde humana e estão estabelecidos na resolução nº 264, de 26 de agosto de 1999, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Planta de forno vertical em atividade:

Planta de forno horizontal em atividade:

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